Ilhas do mar

segunda-feira, abril 23, 2007

Nas vésperas do 25 de Abril

Era um dia normal do mês de Abril, 24 de 1974, como de costume o nosso amigo vendeu-nos na clandestinidade mais um disco de vinil, um LP, guardo-o religiosamente, desta vez Luís Cilia.

Face B
1. Contra a ideia da violência a violência da ideia

à memória de Amilcar Cabral
Luís Cilia

Se vier a desaparecer amanhã nenhum
instante será perdido na marcha dos
nossos combatentes. Haverá sempre
dezenas, centenas de Cabral no nosso
país... Quanto aos colonialistas portu-
gueses, só a derrota os espera.


Último discurso de Amilcar Cabral antes do seu assassinato.


Luís Cília foi o primeiro cantor de intervenção que no exílio denunciou a guerra colonial e a falta de liberdade em Portugal. Gravando ininterruptamente a partir de 1964, realizou uma actividade musical, tanto discográfica como no que concerne à realização de recitais, tendo-se profissionalizado em 1967. Mas para além disso, Luís Cília, durante vários anos dedica-se ao estudo de harmonia e composição, o que é algo invulgar no universo dos cantores de intervenção. Esta formação musical fez de Luís Cília um dos mais respeitados compositores da actualidade, procurado pelas mais importantes instituições, nomeadamente desde que, nos anos 80, optou pela composição pura, o que aconteceu também, devido às muitas solicitações.

Eduardo Raposo, in Canto de Intervenção 1960-1974, Lisboa,2000, p. 74

Este texto foi "roubado" daqui

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