Ilhas do mar

quarta-feira, outubro 08, 2008

Meto-me para dentro

Meto-me para dentro, e fecho a janela.
Trazem o candeeiro e dão as boas noites,
E a minha voz contente dá as boas noites.
Oxalá a minha vida seja sempre isto:
O dia cheio de sol, ou suave de chuva,
Ou tempestuoso como se acabasse o Mundo,


A tarde suave e os ranchos que passam
Fitados com interesse da janela,
O último olhar amigo dado ao sossego das árvores,
E depois, fechada a janela, o candeeiro aceso,
Sem ler nada, nem pensar em nada, nem dormir,
Sentir a vida correr por mim como um rio por seu leito.
E lá fora um grande silêncio como um deus que dorme.




Alberto Caeiro

8 Comments:

  • Bem, parece que hoje apostámos ambos na poesia... por acaso gosto muito de pessoa, sobretudo quando é mesmo pessoa... até porque ao contrário de caeiro: fechar-me, sem ler, nem pensar e nem dormir eu próprio não desejo para mim... adoro ler, pensar... e, por vezes dormir ;-)

    By Blogger geocrusoe, at 10:14 da tarde  

  • Ao geocrusoe

    Por momentos, sabe bem, livrar-nos das preocupações,do trabalho, dos problemas ... e ficar com o pensamento no infinito.
    É assim que interpreto este poema.

    By Blogger nanda, at 11:53 da tarde  

  • Na realidade tens andado escondida.
    Ninguem te vê.Eu sei que da janela do teu quarto vês o Pico que lá deixaste, mas só não basta.
    Um abraço

    By Anonymous Anónimo, at 7:01 da tarde  

  • Caro (a) anónimo (a)

    Sabe muito da minha vida! Tenho andado por aí. O trabalho ocupa bastante tempo.

    Abraço

    By Blogger nanda, at 8:29 da tarde  

  • Lindas fotos do amanhecer.

    By Blogger Lc, at 9:42 da tarde  

  • Ao lc

    Foi um amanhecer deveras fabuloso.
    Obrigada

    By Blogger nanda, at 4:09 da tarde  

  • Tem que se deixar entrar pelo menos uma réstia de sol.
    Abraço.

    By Blogger Lapa, at 4:57 da tarde  

  • By Anonymous materials, at 5:30 da manhã  

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